Em novembro de 2008, eu e minha noiva estávamos com casamento marcado para abril do ano seguinte quando surgiu uma enfermidade na minha vida. Havia uma bola por baixo da pele, na altura da clavícula direita, como se fosse uma íngua, porém maior que o normal.

    Procurei alguns médicos e durante várias baterias de exames sem uma resposta definitiva o Senhor começava a falar ao meu coração, indicando que uma grande batalha estava para se iniciar, mas que Ele estaria sempre ao meu lado. Nesse momento a idéia de enfrentar um câncer já passava pelo meu pensamento. Nessa época eu já morava em Curitiba-PR e a minha noiva, a cantora Dayana Trindade, em Joinville-SC. Sempre que ela ligava para saber como estavam os exames e se os médicos já haviam descoberto o que era, eu tentava tranqüiliza-la, até que foi marcada uma biópsia, pois o médico passou a desconfiar que poderia ser um tipo de câncer que atinge o sistema linfático, conhecido como doença de Hodkin. Nos colocamos em oração esperando que talvez o Senhor pudesse eliminar a enfermidade antes mesmo da biópsia. Após alguns dias, recebemos o resultado dizendo que eu estava com o câncer que o médico suspeitou. Era 9 de dezembro de 2008, dia do meu aniversário. Com esse resultado vários questionamentos vieram em nossos corações. Após 4 anos de namoro colocados diante do Senhor e um casamento sonhado a vida inteira, pelo qual oramos muito durante um ano de noivado, por que teríamos de enfrentar algo assim que parecia colocar em cheque os planos do Senhor para as nossas vidas? Sendo ele o nosso Deus, esperou que aquietássemos o nosso coração para nos mostrar a obra que estava prestes a realizar. O médico então nos informou que seria necessário de 6 a 8 sessões de quimioterapia, talvez algumas sessões de radioterapia e talvez uma cirurgia.        

  

Se ele me curou, ele pode te curar também.


Júlio César de Oliveira Silva

Esposo de Dayana Trindade

    Ainda assim eu não havia perdido um fio do meu cabelo. Veio a segunda sessão e as enfermeiras se surpreenderam porque outros dois jovens que tinha passado pelo mesmo início de tratamento haviam perdido todo o cabelo. Além disso, antes de cada sessão, é preciso fazer um exame de sangue completo para atestar a condição do paciente para receber a química. Em todos os exames as enfermeiras falavam que não parecia alguém que estava fazendo quimioterapia. Deus estava agindo.


         Assim foi na terceira e quarta sessão. Já estávamos no início de abril e pra glória do Senhor, no dia 4 de abril a Dayana entrou na igreja e me viu no altar com o cabelo todo na cabeça. O Senhor honrou a nossa fé, oração e todas as vezes que a Day ungiu a minha cabeça com óleo. Passado o casamento ainda faltava a quinta e a sexta quimioterapia. Entramos em lua-de-mel e aliviado, deixei de cuidar do meu cabelo como antes, porque Deus já havia me dado o presente que tanto queria, então se o cabelo caísse não me importaria. Mas como o nosso Deus é perfeito, mesmo após a sexta e última sessão Ele não permitiu que meu cabelo caísse. Hoje, já curado e sem que fosse preciso radioterapia nem cirurgia, eu e a Dayana cantamos a canção que Deus deu a ela “A prova da fé”, a qual diz: a minha fé está alicerçada no Deus do Impossível, eu posso ver mais além, eu vejo o que ninguém vê.


       Deus é mesmo um Deus de detalhes que sabe quantos fios de cabelo há em nossas cabeças (Mt 10:30) e se importa com as pequenas coisas das nossas vidas. Em todo lugar que compartilhamos essa prova da fé falo a palavra que está em Hebreus:

    E claro, que o meu cabelo cairia no início ou no final do tratamento que deveria durar de 4 a 6 meses. Isso me deixou muito preocupado, porque sonhei a vida inteira com o dia do meu casamento e queria estar bem nesse dia. A essa altura um exército de preciosos irmãos se colocaram em oração por minha vida. Em fevereiro fiz a primeira quimioterapia: apesar do otimismo e confiança no Senhor, a sensação de enjôo e desconforto eram terríveis com a química que era despejada no sangue.